Eu, particularmente, não tenho nada contra indicadores. Não sou apaixonado por eles, mas também não tenho nada contra. Mas quando eles são apresentados em grande quantidade e com métricas confusas, aí eu já começo a me posicionar de maneira contrária.

Trabalhando há 7 anos com Gestão de Pessoas, percebi que o que mais anima os gestores de uma empresa são os tais indicadores. E não é difícil de entender: eles mostram exatamente o que precisamos saber para tomar decisões melhores em nosso negócio.

Os indicadores também ajudam a saber se as pessoas que trabalham em nossa empresa estão fazendo as coisas do jeito que esperamos que façam (afinal, um indicador foi definido para verificar isso), e manter um certo senso de controle.

O problema é justamente quando se ultrapassa a linha do razoável e se chega ao excesso. Isso acaba desumanizando o processo de trabalhar e a relação entre patrão e empregado. Sem falar que os números podem não mentir, mas o planejamento e a interpretação destes números podem.

Minha proposta então, é fazermos do jeito Disney.

É sabido que a Disney é uma excelente empresa de trabalhar, com um alto índice de satisfação no trabalho, em todos os níveis hierárquicos.

Existem dezenas de estratégias que a Disney usa para gerenciar sua marca, seus parques e seu negócio, mas hoje quero me deter em uma: o framework de trabalho.

Semelhante, mas diferente dos documentos tradicionais de descrição de cargo, os frameworks são uma maneira menos engessada e mais fluida de garantir autonomia para o profissional e passar confiança.

Eu não sei se você sabe, mas a Disney considera seus funcionários cast members (membros do elenco), então cada um deles tem o seu papel definido, e o escopo da sua atuação funciona da seguinte forma:

Este é um diagrama em forma de ciclo que dá um norte ao cast member para saber o que é esperado de sua atuação. Detalhe: este framework vale para TODOS os funcionários do parque. Vamos avaliar cada quadrante dele:

1. Segurança: todos os cast members precisam ter como prioridade a segurança de todos. Se alguém estiver em alguma situação perigosa (como subindo em algum lugar para tirar uma foto do Pateta, por exemplo), antes de mais nada é preciso resolver essa situação.

2. Cortesia: depois de garantir a segurança de todos em seu redor, o cast member deve prezar pela cortesia e educação em todas as interações que tiver.

3. Show: como é um membro do elenco no show que é a experiência Disney, o terceiro passo é fazer o seu trabalho de maneira lúdica. Não é raro ver os funcionários dançando e cantando espontaneamente enquanto fazem seu trabalho.

4. Eficiência: por fim, e aqui eu acredito que entra a parte burocrática/administrativa do trabalho, fazer o seu show de uma maneira eficiente, economizando os recursos disponíveis.

Ou seja, complexos esquemas de descrição de cargo e indicadores de performance tornam-se desnecessários quando a gestão da empresa é inteligente a este ponto. É só rodar este framework infinitamente e fazer o seu trabalho da melhor maneira possível.

E, convenhamos, quem não gostaria de ter mais autonomia onde trabalha, e sentir que a empresa confia em você?