Erivelto Weinert: crescimento, desafios e a coragem de se reinventar

Escrito por Douglas Pereira
8 de dezembro de 2024

O que você encontrará neste artigo:

  • A trajetória empreendedora de Erivelto Weinert e a vida de “desempresário”.
  • Os desafios e obstáculos enfrentados pelo empreendedor brasileiro.
  • Lições valiosas sobre gestão e crescimento acelerado na indústria.
  • Reflexões sobre filosofia econômica comparando China e Estados Unidos.
  • O tema das armas e a relação com responsabilidade e equilíbrio emocional.

De empreendedor a “Desempresário”: a reinvenção de Erivelto Weinert

Erivelto Weinert possui uma trajetória marcante no empreendedorismo. Como fundador da Elevittá Elevadores, empresa reconhecida por trazer soluções inovadoras para a acessibilidade em veículos rodoviários, ele vivenciou intensamente o que significa criar e expandir um negócio no Brasil. Após vender sua participação na empresa, Erivelto adotou o termo “desempresário” para explicar sua nova fase: a de alguém que, por opção, deixa de atuar diretamente na operação diária de uma empresa, buscando um período sabático para investir em novos aprendizados, reflexões e oportunidades.

Embora tenha inicialmente buscado um período sabático, Erivelto logo descobriu que sua vocação empreendedora não permitia uma pausa tão longa quanto imaginava. Imediatamente após a venda, mergulhou em estudos voltados para aconselhamento estratégico de startups e investimentos. Sua nova rotina passou a envolver pós-graduação em macroeconomia, análise criteriosa de oportunidades de negócio, e constante atualização sobre os movimentos do mercado financeiro.

“Eu respondo que sou desempresário porque vendi minha participação na empresa para ter um período sabático. Mas não deu certo porque empreendedor não consegue parar. Está na nossa veia querer construir, criar coisas novas.”

Essa reinvenção revela uma faceta importante da mentalidade empreendedora: a inquietação criativa e a necessidade constante de buscar desafios.

Empreender no Brasil: coragem ou loucura?

Empreender no Brasil envolve coragem para enfrentar burocracias intermináveis, tributação elevada e, frequentemente, uma insegurança jurídica que desmotiva até mesmo os empresários mais otimistas. Erivelto exemplificou essas dificuldades ao relatar o começo da Elevittá Elevadores, quando precisou importar peças essenciais para desenvolver o seu produto pioneiro. Ele se viu confrontado por exigências burocráticas extremamente detalhistas e, por vezes, até absurdas. Precisava enviar documentos, fotos e relatórios que pareciam não fazer sentido lógico, apenas para garantir uma simples operação comercial de importação.

Essas barreiras, segundo ele, podem assustar e afastar potenciais empreendedores que, se estivessem plenamente conscientes dos desafios que viriam pela frente, talvez desistissem antes mesmo de começar. Ainda assim, ele destaca que é possível superar tais dificuldades com paciência, planejamento e muita organização estratégica.

“Para abrir um negócio no Brasil, você precisa ser meio burro ou meio louco. É tanta burocracia que, se soubéssemos desde o início, talvez nem começássemos.”

A jornada é árdua, mas Erivelto acredita firmemente que o sucesso empresarial é viável desde que o empreendedor desenvolva organização interna, processos sólidos e muita resiliência emocional.

A experiência da Elevittá e lições sobre crescimento acelerado

A Elevittá Elevadores passou por um período intenso de crescimento após anos iniciais difíceis. Entre 2013 e 2018, a empresa enfrentou um mercado ainda resistente às suas soluções inovadoras de acessibilidade em ônibus rodoviários. Durante esse período inicial, o produto desenvolvido—uma poltrona móvel acessível que levava diretamente o cadeirante da calçada até seu lugar dentro do ônibus—encontrava pouca aceitação devido à falta de regulamentações específicas.

Entretanto, com a entrada em vigor da legislação que tornava obrigatória a acessibilidade nos veículos de transporte público, a demanda cresceu vertiginosamente. Em menos de um ano, a produção saltou de um elevador por semana para 45 unidades por dia, representando um crescimento de 3.300%.

Esse crescimento repentino trouxe grandes aprendizados. Erivelto e sua equipe tiveram que rapidamente aprimorar processos internos, implementar certificações ISO e estabelecer relações mais sólidas com fornecedores e parceiros estratégicos. Apesar das dificuldades, conseguiram manter uma gestão eficiente, garantindo entregas pontuais e qualidade de produto.

“Quando veio o boom do mercado, já estávamos estruturados, com parceiros confiáveis e processos claros. Foi um desafio hercúleo, mas estávamos prontos.”

Essa experiência reforça a importância da preparação prévia para cenários de crescimento rápido.

China e Estados Unidos: duas visões econômicas, duas filosofias diferentes

A conversa também trouxe reflexões profundas sobre as diferenças entre as filosofias econômicas dos Estados Unidos e da China. Erivelto comparou a liberdade econômica norte-americana, sustentada por uma filosofia de propriedade privada, liberdade individual e pouca interferência estatal, com o modelo chinês, onde o capitalismo é intenso, porém rigidamente controlado pelo Estado.

Segundo ele, a China se tornou uma potência econômica justamente pela liberdade quase irrestrita dada às empresas na competição de mercado, desde que não conflitem com interesses estatais. Erivelto lembra da curiosa metáfora usada pelo ex-líder chinês Deng Xiaoping, segundo a qual a economia chinesa deveria agir como um gato, sempre focado em capturar o rato independentemente dos meios.

Por outro lado, a restrição das liberdades individuais ainda persiste fortemente naquele país, criando uma situação paradoxal de liberdade econômica seletiva e restrições pessoais rígidas. A comparação feita por Erivelto amplia nossa compreensão sobre como esses modelos diferentes impactam diretamente o ambiente de negócios e a inovação.

Armas e responsabilidade pessoal

Outro ponto marcante da conversa com Erivelto foi sobre armas, responsabilidade individual e controle emocional. Para ele, ter armas não é apenas uma questão de segurança pessoal ou propriedade, mas também um exercício de responsabilidade, autocontrole e equilíbrio emocional. A posse de armas, segundo ele, trouxe-lhe maior consciência sobre os próprios atos, justamente pelo peso das consequências que decisões equivocadas poderiam acarretar.

O porte responsável de armas, em sua visão, exige autocontrole, disciplina e atenção redobrada a situações que poderiam gerar conflito ou risco. Erivelto defende que a posse responsável não apenas não promove violência, mas pode ajudar o indivíduo a tornar-se mais equilibrado emocionalmente, justamente pela consciência permanente da gravidade e das implicações de suas decisões.

“Ter armas não te torna violento; pelo contrário, exige uma calma e uma responsabilidade muito maiores. Você passa a pensar duas vezes antes de agir impulsivamente.”

Com esse raciocíno, ele reforça que o problema da violência não está no objeto em si, mas no comportamento das pessoas e na forma como lidam com suas responsabilidades individuais.

Conclusão

Essa conversa com Erivelto Weinert é uma verdadeira aula sobre empreendedorismo real, vivido, com todos os seus altos e baixos. O episódio oferece insights profundos sobre a realidade do empreendedor brasileiro, desafios de inovação, filosofia econômica internacional e reflexões pessoais impactantes.

Se você quer aprofundar ainda mais essas questões e ouvir diretamente a visão provocativa e autêntica de Erivelto sobre empreendedorismo, inovação, economia e até mesmo responsabilidade pessoal, não deixe de conferir o episódio completo.

Ouça agora e aprofunde-se nessa conversa imperdível!

Sobre o Autor

Douglas Pereira

Douglas Pereira é psicólogo, especialista em Gestão de Pessoas e Empreendedorismo. Apaixonado por traduzir temas complexos em ações práticas, ajuda profissionais e equipes a impulsionarem resultados com bem-estar e satisfação. Em seus conteúdos, une Psicologia Positiva, inovação e uma abordagem humanizada para promover mudanças consistentes na vida pessoal e profissional.

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